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Cotidiano e Cidade

A exploração dos animais na pecuária


Aprisionamento dos animais. Imagem: Thais Fullmann

Por “exploração animal” entendem-se as atividades humanas que fazem uso de animais não-humanos. Essa exploração é definida por todo tipo de violação física ou psicológica contra um animal, visando benefícios particulares. As principais explorações atualmente envolvem a pecuária, a pesca, o uso de animais para lazer, a experimentação animal e o uso de animais para a produção de vestimentas. Existem também outras, que ocorrem em menor quantidade, como a apicultura, os rituais envolvendo animais e o uso de animais como transporte.

A principal atividade é a pecuária, que cria animais para vários tipos de indústria. É também a mais cruel e, ao mesmo tempo, a mais socialmente aceita. Ela é responsável por uma série de abusos e violações de interesses básicos dos animais. Primeiramente, os animais vivem apenas uma fração da idade que viveriam se não passassem por isso: as vacas e os bois podem viver por mais de vinte anos, mas, em cativeiro, as vacas são abatidas antes dos cinco anos e os bois, antes dos três. As galinhas, que podem viver mais de dez anos, em cativeiro são abatidas entre dois e três meses de vida.

Esses animais estão expostos a uma série de maus-tratos: mutilações sem anestesia, como a retirada dos testículos e o corte de chifres, deformações devido a manipulação genética, marcação a ferro, entre outros. Além disso, em muitos casos, quando um dos animais adoece, optam por matá-lo, pois é economicamente mais barato abatê-lo do que pagar um tratamento médico.

Os animais envolvidos nas indústrias leiteiras e de ovos seguem praticamente o mesmo caminho de sofrimento. As vacas criadas por seu leite estão constantemente grávidas, pois apenas produzem leite nessa condição, e por conta disso, estão sempre sofrendo inseminação artificial obrigatória. Os bezerros nascidos dessa gravidez, que naturalmente mamam por seis meses, são separados de suas mães uma semana após o parto, fato que gera grande sofrimento psicológico para a mãe e para os filhotes. Os filhotes machos, por não produzirem leite, não possuem valor nessa área e são destinados a produção de carne de vitela. Para obter-se esse tipo de carne, o filhote é criado confinado durante quatro meses e permanece amarrado no escuro em um cubículo de seu tamanho, para que assim não desenvolva músculos e a carne fique mais leve.

As vacas exploradas produzem doze vezes mais leite que o normal, causando dor, infecções e até morte por conta da solidificação do leite no organismo. Elas ficam expostas a doenças infecciosas devido à constante ordenha e, normalmente, depois de quatro ou cinco anos de idade, estão muito esgotadas e mal conseguem andar. Depois que elas se tornam inúteis para a indústria, são abatidas e as últimas partes de seu corpo são aproveitadas: a carne menos nobre é vendida como carne de segunda, dos ossos e cartilagens produzem gelatina e cola, e da pele faz-se o couro.

A criação de suínos não é muito diferente, pois também são criados em grande escala e vivem confinados em espaços onde mal conseguem se mover. As aves, por sua vez, enfrentam destino ainda pior. As galinhas de granja são criadas confinadas e amontoadas em gaiolas, em situações precárias e estressantes, que as levam a adotar um comportamento agressivo e, por conta disso, têm as pontas de seus bicos cortadas para não ferirem umas às outras. Por fim, assim que a produção de ovos cai, elas são abatidas. Já os frangos, que nascem em chocadeiras e jamais possuem contato com suas mães, são destinados a produção de carne. Muitos desses frangos e galinhas chegam ao abate doentes e com fraturas e ferimentos causados pelo manejo brutal.

A pecuária é apenas um dos diversos sofrimentos que os animais são obrigados a aguentar. Milhares de outros animais sofrem atualmente com experimentos de cosméticos ou científicos, caça esportiva, confinamento em parques e zoológicos para promover lazer aos humanos, além de participarem em esportes e rituais considerados culturais que usam animais. Com isso, pode-se concluir que os animais sofrem abusos tanto físicos como psicológicos apenas para satisfazer os requisitos dos seres humanos.

A melhor solução para esse problema seria a sociedade adotar o estilo de vida vegano, que não utiliza nenhum produto de origem animal, desde carnes até cosméticos que testam em animais, por exemplo. Desse modo, a sociedade poderia finalmente criar empatia pelos animais, que continuam sendo seres vivos, assim como nós.

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