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Educação e carreira

A burrice do ensino

Pilha de livros usados no ensino médio, exemplificando o sobrecarregamento dos alunos - Autoria de Juca Borghi

Pilha de livros usados no ensino médio, exemplificando a sobrecarga dos alunos. Foto: Juca Borghi

A educação no Brasil, um assunto pouco discutido apesar da sua enorme importância

O Brasil é um país em constante mudança, seja isso para o bem ou para o mal. Ultimamente as mudanças, especificamente no quesito do ensino, têm sido intensamente comentadas, tanto para fazer elogios quanto para críticas. No entanto, penso que é necessário maior reflexão sobre o assunto antes que se façam mudanças drásticas.

A Reforma do Ensino Médio, inicialmente proposta pelo governo de Michel Temer em setembro de 2016 como medida provisória e aprovada em fevereiro de 2017, é uma piada. Temer faz uma tentativa “cômica” de imitar o modelo de ensino dos Estados Unidos enquanto, ao mesmo tempo, suja a imagem da democracia, ao tentar impor uma “medida provisória” sem consultar a população. Um assunto importante como tal merece a participação de todos. Ainda mais, a proposta tenta encorajar a terceirização, que é basicamente a substituição de um professor por outro, geralmente menos qualificado, mas que trabalha por um salário menor. Esse terceirizado é apontado por uma empresa, que lucra com isso.

A mudança proposta poderia ser benéfica, pois daria ao aluno a escolha do currículo, mas não foi implantada corretamente – os vestibulares, por exemplo, não se adaptaram ao novo modelo –  e ainda há desonestidade no processo, favorecendo as empresas que terceirizam os professores, como mencionado.

Einstein uma vez disse: “Todo mundo é um gênio, mas se você julgar um peixe pela sua habilidade de subir em uma árvore, ele passará sua vida inteira acreditando ser incapaz”. Ainda assim, alunos no Brasil inteiro têm que aprender as mesmas coisas da mesma maneira, sem consideração pelas dificuldades e escolhas de cada um. As escolas preparam as crianças para uma competição, uma luta. É triste constatar que as escolas mantiveram a mesma estrutura e forma de agir desde sua criação, embora vivamos em um mundo em constante mudança.

Não só no Brasil, mas em diversos países, uma das profissões mais mal pagas considerando sua importância é a do professor. Hoje em dia, professores são obrigados a ensinar em diversas escolas para poderem viver uma vida parecida com confortável. Acho que os professores são mal pagos e injustiçados ao serem vistos como uma profissão de última escolha, acabando com o resto de popularidade que esta carreira carregava.

Além disso, o Brasil é um dos poucos países que obriga os seus alunos a estudar todas as matérias, mesmo que a carreira escolhida não se relacione com vários desses assuntos. Tal aspecto traz mais pontos negativos que positivos. Ser obrigado a saber todas as matérias para passar no vestibular pode significar um maior acúmulo de informação, ajudando no desenvolvimento do estudante. Por outro lado, esse conhecimento excessivo pode traduzir-se no menor e quase insignificante ingresso de pessoas menos privilegiadas, pois as que passaram pela prova têm um conhecimento que é apenas proporcionado por escolas melhores, o que geralmente significa colégios particulares. Mesmo aqueles que estudam ou estudaram nessas escolas acabam sofrendo, pois sentem-se extremamente sobrecarregados e pressionados pela competitividade que o vestibular traz.

Desde os nove anos ouvia falar sobre o vestibular. Meu irmão e pouco depois minha irmã tiveram que enfrentar esse monstro inevitável. Quando cheguei ao primeiro ano do ensino médio, com certas dificuldades no caminho, comecei a ser obrigado a me preocupar com a profissão que deveria escolher para o resto da minha vida, pois não pensava que poderia mudar uma vez que minha carreira havia sido escolhida. Agora, no final do segundo ano do ensino médio, apesar de saber que posso mudar minha escolha, me sinto ainda mais pressionado e tenho certeza de que essa sensação só ficará mais forte. Se a escola me permitisse fazer escolhas ao longo do meu trajeto escolar, teria mais facilidade em realizá-la.

Em conclusão, penso que nosso país tem que focar em transformar a educação em um pilar de sustentação de um projeto do país. Sem uma educação de qualidade para todos, estamos perpetuando a desigualdade social, que acarreta mais violência, mais pobreza e mais desequilíbrio geral. Não consigo ver nem o governo, nem a elite, nem ninguém se preocupando seriamente e agindo para mudar os fatos. Em última análise, me preocupo com o meu país e com o meu futuro, que está em jogo.

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