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Cotidiano e Cidade

O surfe como esporte olímpico

Onda de Fernando de Noronha: Franco Pacini

Onda do arquipélago de Fernando de Noronha. Foto: Franco Pacini

Como essa mudança vai impactar o preconceito existente no Brasil

Desde a votação feita pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) realizada no ano passado, o surfe, junto de esportes como a escalada e o skate, fará parte dos esportes classificados como “Olímpicos”, já sendo inserido nas Olimpíadas de Tóquio. Essas novas modalidades foram incluídas na lista para atrair o público jovem, que vem mostrando gradual desinteresse em acompanhar essas cerimônias esportivas. É compreensível a estratégia utilizada pelo comitê. Muitos jovens realmente vêm tendo mais interesse pelo esporte que antigamente poderiam acusar de “ralé”. O surfe ganhou importante atenção após o primeiro título mundial na modalidade clássica ser conquistado por um brasileiro em 2014, por Gabriel Medina. Agora, essa prática ganha cada vez mais visibilidade com a ampliação da cobertura pelos meios de comunicação.

Mas quais são as mudanças? As Olimpíadas terão que ser feitas em áreas litorâneas que apresentem condições de surfe? Ou piscinas artificiais, como a criada pelo campeão mundial, Kelly Slater, serão construídas nas respectivas sedes? Nada se altera nas escolhas da cidade e país em que serão realizados os eventos. As piscinas artificiais certamente podem ser algo a ser discutido nas próximas Olimpíadas, pois já existe a tecnologia que faz com que sejam possíveis diferentes ondas (tamanho, duração etc.) e de qualidade; o maior problema seriam os altos custos e o tempo de produção. Contudo, esse tema ainda não foi abordado para os Jogos de Tóquio. O que se tem notícia é que no próximo evento, os 40 surfistas vão atuar em Chiba, cidade litorânea chinesa que fica a menos de 1 hora de Tóquio.

A recente escolha de encaixar o surfe nas Olimpíadas trará significativa mudança em como o esporte é visto pela sociedade brasileira. No passado, as famílias mais conservadoras poderiam pensar que o surfe não era um esporte sério, e que é praticado exclusivamente por gente que costuma utilizar substâncias ilícitas, por exemplo, a maconha. Nos dias atuais sabemos que esse preconceito diminuiu e continuará diminuindo gradativamente. O surfe é um esporte sério e de alto rendimento. O atleta que o pratica não só tem que ter um bom preparo físico integral, mas também requer muita agilidade, equilíbrio e profundo conhecimento sobre as leis da natureza.

Ainda que os pré-julgamentos sobre o surfe e os surfistas tenham diminuído, eles não foram extintos. Quando alguém diz ser surfista, percebemos uma desconfiança de quem supõe um envolvimento no mundo das drogas. Porém, um grande empurrão para a diminuição desses preconceitos com o esporte será essa nova proposta de inseri-lo nos Jogos. Além dessa enorme conquista, os atletas brasileiros do surfe como Gabriel Medina, Filipe Toledo e Adriano de Souza crescerão internacionalmente, sendo ainda mais conhecidos pelo mundo, incentivando também jovens atletas a seguirem com essa carreira e alimentar o sonho de medalha olímpica pelo “esporte dos deuses”.

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