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Educação e carreira

Uma entrevista engenhosa

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Pedro Francisco Moreira Fonte: Revista Super Sul

Para compreender melhor a carreira de engenharia, entrevistamos Pedro Francisco Moreira, 53, é Diretor-Geral da CHEP no Brasil, líder mundial em Pooling de Paletes e Contentores. CHEP é uma empresa de soluções de logística, especializada na gestão de equipamentos de carga unitária nas cadeias de suprimentos mais complexas e eficientes do mundo. Está presente em mais de 60 países.

O profissional é formado em Engenharia Industrial pela Universidade Metodista, Tecnologia de Alimentos pela Universidade de Campinas. Possui MBA Executivo pela FIA/USP e vários cursos de especialização em Gestão Empresarial, Logística e Cadeia de Suprimento tanto no Brasil como no Exterior. Trabalhou na indústria de alimentos, no CETEA – Centro de Tecnologia de Embalagens e como consultor de logística e cadeia de suprimento, onde desenvolveu mais de 130 projetos tanto para indústrias brasileiras como multinacionais. Foi responsável pela introdução do conceito de Pooling de Paletes e Contentores no Brasil e sócio proprietário da SPED – Sistema Paletizado de Expedição e Distribuição Ltda, primeira empresa do segmento no país.

É presidente da ABRALOG – Associação Brasileira de Logística, diretor-titular adjunto da Divisão de Logística e Transporte do Departamento de Infraestrutura da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Diretor executivo de Relações Institucionais em Infraestrutura da ANEFAC – Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. É, também, membro fundador da Associação Latino Americana de Logística e participante do Movimento ECR Brasil. Escreve artigos para vários veículos especializados e tem proferido inúmeras palestras em conferências de Logística e Cadeia de Suprimento tanto no Brasil como exterior.

O quanto sua graduação em engenharia ajudou em decisões administrativas?

Primeiramente vale destacar que a engenharia é uma área fantástica, pois oferece ao profissional a aplicação do conhecimento científico, matemático, econômico, social e prático para criar, desenhar, construir, manter e melhorar materiais, equipamentos, sistemas e processos. Obviamente há várias áreas de especialização em engenharia (civil, mecânica, elétrica, industrial, ambiental etc.), mas é importante ressaltar que ela exercita muito as  soluções adequadas para problemas e aperfeiçoamento de soluções já existentes. Todo esse contexto proporciona ao executivo uma visão ampla e dinâmica dos fatos e contribuiu positivamente para o entendimento e formulação de soluções nas mais diversas áreas da Economia. Por isso vemos tantos engenheiros e engenheiras atuando em outras atividades como sistema financeiro, fundos de investimentos, serviços de um modo geral, logística, entre outras, inclusive exercendo funções e cargos de destaque nas organizações, entre eles presidência, vice-presidência, diretoria e gerência.

Esses fundamentos têm contribuído e contribuem na minha vida profissional, função de direção geral que exerço na CHEP do Brasil e nas decisões administrativas. Destaco aqui a contribuição imperativa da engenharia na leitura da situação, contexto, problema, formulação de alternativas e tomada de decisão. Entretanto, além da engenharia, busquei aperfeiçoar meus conhecimentos em administração, finanças, marketing, através de cursos de especialização (MBA) de forma a fortalecer minha formação como executivo e requerimentos da função que exerço.

Por que toda empresa, independente do seu tamanho, precisa de administradores?

Toda organização precisa de profissionais que estejam dedicados ao planejamento, gestão, orientação do uso adequado dos recursos físicos, humanos, financeiros e tecnológicos, encontrar soluções para toda espécie de problemas administrativos de modo a manter a empresa operando de forma saudável e sustentável. Assim sendo, é o administrador que organiza o correto funcionamento dos diversos setores de uma empresa, cria métodos e procedimentos, garante a circulação de informações, de maneira adequada, prepara o orçamento anual, calcula e monitora despesas referentes a diversos processos, identifica fatores e riscos que resultem em prejuízo orçamentário, bem como oportunidades para mitigar tais riscos.

Também deve estar atento a políticas corporativas, códigos de conduta, legislações na área de atuação da empresa, gestão de talentos, ações de sustentabilidade e responsabilidade social. Cabe também ao administrador olhar para o futuro, projetar crescimento, entender as tendências de mercado, as oportunidades e construir um plano estratégico de médio/longo prazo. Por fim, o administrador não atua sozinho e sim, dependendo do tamanho da empresa, conjuntamente com as diversas áreas e profissionais da organização sob sua responsabilidade: industrial, recursos humanos, finanças, comercial, logística, jurídica etc. Então, liderança é um dos atributos importantes do administrador.

Em sua opinião, o que é mais importante em um profissional: conhecimentos e habilidades técnicas ou talento natural?

Definitivamente a combinação de conhecimentos e habilidades técnicas com o talento natural, desde que esse seja bem aplicado. Gosto muito do Modelo de Competências e Agregação de Valor, defendido pela professora Dra. Maria Tereza Leme Fleury, uma das minhas professoras do MBA da FIA/USP na matéria que abordava Estratégias Empresarias e Formação de Competências:

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Modelo de Competências e Agregação de Valor de Maria Tereza Leme Fleury

O profissional deve estar sempre atento às competências requeridas por sua organização. Elas estão em frequente mutação face à dinâmica e aos desafios do mercado. Isso orienta a necessidade de aperfeiçoamento das competências humanas e desenvolvimento profissional. Pressupõe então aprimorar seus conhecimentos e habilidades técnicas para sobreviver num mercado de trabalho tão competitivo. O talento natural, se bem potencializado pelo profissional só tende a contribuir positivamente nesse processo. Seria uma espécie de catalisador.

Ao longo de sua carreira profissional, você já teve que deixar a razão de lado para utilizar a emoção ao tomar uma decisão?

Sim, poucas vezes. Há casos difíceis para tomada de decisão, principalmente quando envolve pessoas: uma demissão, um reposicionamento, advertência etc. Nesses casos a emoção tende a aflorar. Entretanto, com o passar dos anos, entendemos que a razão deve ser a primeira variável a ser seguida por um profissional. Importante analisar bem o cenário, ponderar as implicações antes da tomada de decisão e evitar erros.

Se você pudesse dar alguma sugestão para quem está começando a graduação ou para quem está se formando em qualquer área, o que diria?

Primeiramente é importante gostar da profissão que escolheu. Isso é um combustível essencial para desenvolver sua carreira com foco, dedicação, alegria e motivação. Seja persistente pois a vida profissional nos coloca desafios a cada dia. Vivemos num mundo com um dinamismo jamais visto. Isso exige do profissional um aprimoramento constante de seus conhecimentos. Não há limites. Aprimore-se, invista em seu capital humano.

Além disso, o profissional deve entender e desenvolver a necessidade de se adaptar rapidamente aos cenários em que vive. Os requerimentos de hoje não são iguais ao da passado e nem mesmo do futuro. Para resumir deixo aqui para reflexão, um de tantos pensamento geniais de Charles Darwin: “não é a mais forte das espécies que sobrevive, nem a mais inteligente, mas sim a que melhor se adapta às mudanças”.

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