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Cotidiano e Cidade

Brasil: o país do estrangeiro

Monotrilho inacabado na cidade de São Paulo. (Foto por: Gabriela Carvalho)

Monotrilho inacabado na cidade de São Paulo. Foto: Gabriela Carvalho

Ana Luiza Lopes
Gabriela Guedes

Será que estamos tão preparados quanto queremos transparecer? Com as Olimpíadas e a Copa do Mundo, o governo brasileiro se esforçou para criar uma imagem satisfatória para a plateia estrangeira. No entanto, o Brasil continua provando a cada dia mais que não possui a estrutura apropriada e necessária para receber eventos de tamanha repercussão internacional.

Não há mais tempo de salvar o presente, mas o que faremos com o futuro? O país está passando, provavelmente, por seu pior momento da década, com uma mudança de governo e investigações sobre corrupção de diversas figuras políticas com índole questionável. O impeachment da atual presidente afastada Dilma Rousseff causou grande divergência política entre a população, e o país nunca esteve tão dividido, sem rumo  e sem liderança nos últimos tempos. Adicionalmente, a operação Lava-Jato tinha o intuito de conseguir uma melhor situação em relação a políticos brasileiros e, mesmo que ainda tenha continuado durante o evento Olímpico, o país todo já estava voltado ao esporte.

A situação inteira pela qual estamos passando foi deixada de lado com a preparação da metrópole carioca. Além de que, com os jogos, a atenção do povo brasileiro mudou de foco: de “quando os corruptos serão punidos?” para “quantas medalhas o Brasil vai ganhar?”, facilitando assim a manipulação de massa e a execução de processos que podem até ir contra a Constituição “por baixo do pano”. Assim como acontece com a população, o governo também mudou o seu foco. Ao invés de continuar obras paradas que são de extrema importância para o melhor funcionamento de grandes metrópoles, como o metrô da cidade de São Paulo, o governo se preocupa mais em vestir máscaras sociais para atingir uma melhor reputação pelo mundo como um todo.

Apesar da boa impressão causada pelo Brasil no resto do mundo, a maior parte do iceberg permanece nas profundezas. Diversos veículos de comunicação estrangeiros elogiaram a abertura elaborada do megaevento esportivo. “O show foi magnífico, um retrato da história brasileira por meio de imagens e movimento”, disse um trabalhador de uma fábrica de automóveis para o New York Times: “Eu não sei se é algo que meus filhos poderão presenciar novamente nesse nosso país, então me sinto muito sortudo”. Depois desse espetáculo para os estrangeiros, o que os brasileiros precisam fazer é torcer para que o governo se preocupe com o seu povo e não só com o resto do mundo.

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